14 novembro, 2007

Lista de pedidos...

Fêfis, Nina e Jubs...

Hoje fiz uma listinha de pedidos para a viagem de vocês....entre tantas outras coisas, pedi:

1- Que o avião das gurias DECOLE de Sampa e FIQUE no CÉU e que durante este período o serviço de bordo seja feito tranquilamente, sem pausas por conta das turbulências...aliás, faça com que o Minuano fique quietinho durante o vôo, para que o avião não balance muito e a Jubs não quebre os dedos da Fêfis.Aproximadamente uma hora e quinze depois, faça o avião descer em modo POUSO - e não QUEDA no aeroporto Salgado Filho em POA. (Fêfis, reaproveitamento de texto, ok?);

2- Que o tempo fique maravilhoso e que Porto Alegre não mostre seu potencial bipolar, assim a gente poderá aproveitar bastante os passeios e delícias dessa cidade maravilhosa!

3- Um Guaíba lindo...um pôr do sol maravilhoso...

4- Risadas, muitas risadas...

5-Comida, muita comida...

6- Alegria, amor e amizade...

7- Que o tempo passe beeeeem devagar, para a gente matar a saudade e aproveitar cada minuto como se fossem horas...

Acho que o básico é isso...querem acrescentar mais alguma coisa?
E para dar aquele arrepio na espinha, aí vai um trecho de uma musica e algumas imagens para embalar a viagem de vocês ;)
Venham bem, queridas!

"Porto Alegre é que tem
Um jeito legal
É lá que as gurias etc. e tal

Nas manhãs de domingo
Esperando o Gre-Nal
Passear pelo Brique
Num alto astral

Porto Alegre me faz
Tão Sentimental
Porto Alegre me dói
Não diga a ninguém
Porto Alegre me tem
Não leve a mal
A saudade é demais

É lá que eu vivo em paz"





03 novembro, 2007

Sem palavras


Viajando, existem dois tipos de lugares que você pode visitar:
Os que te fazem sentir feliz. Você olha o horizonte, respira fundo e enche a alma de leveza e alegria. Dimensão paralela que recarrega seu espírito. Você sai de lá revigorada, achando que o paraíso existe, refúgio terrestre.
E existem aqueles que você, ao visitar, sente como inusitada vibração. Sua alma se inquieta, remexida. Você olha em volta e procura o que te toca assim tão forte e sutil. Não é alegria ou euforia.
É encontro. Esses lugares não te fazem sentir nem melhor ou pior. Você simplesmente se sente em paz, na felicidade de quem chega em casa.
Assustador, mas de beleza sem par.

Reproduzo aqui um post que já publiquei há algum tempo em outro blog, na tentativa de definir o que foi minha viagem mais recente a POA. Apesar das minhas já muitas idas, dessa vez a chegada me ofereceu espetáculo único: pude ver, bela como nunca, a cidade sob a luz do pôr-do-sol. O Rio Guaíba, o porto, os prédios todos banhados sob luz dourada. E naquele momento, meu peito foi também inundado de luz e alegria. A alegria por me sentir viva, por estar bem, por ter superado mais tantos desafios para chegar até ali. A certeza de me sentir querida, de ocupar lugar especial no coração de pessoas tão únicas como aquelas que iria encontrar. A felicidade de saber que sempre há um recomeço, e que ele pode ser coroado com a luz do sol, filtrada por nuvens brancas de algodão, acima de nós.

Essa chegada a Porto Alegre foi especialíssima. E assim seguiria toda a viagem, para mim: os papos intermináveis com minha irmã de alma, que tão bem me entende e conforta. A acolhida de uma querida família, com tanto amor e carinho, fazendo-me sentir feliz e privilegiada. A paisagem inesquecível do Guaíba, no vento de final de tarde, curando qualquer dor ou inquietação. A energia boa, especial, de pessoas que encontrei. O som cantado do sotaque que baila pela cidade.

Tudo isso dificulta um relato objetivo do que foi essa bela viagem. Uma viagem que, a cada retorno, acaba se tornando menos "viagem" e mais encontro: o refúgio terrestre aos poucos está tomando forma de segundo lar. E isso não é nada assustador. Mas é também de uma beleza difícil de descrever em fotos ou mesmo em palavras.

Adoro vocês!

Da paulista cada vez mais viajeira :)

25 outubro, 2007

Bem Vinda Mana Jú! Porto Alegre te espera!

Hoje, quando a querida mana Jubs estiver chegando a Porto Alegre verá essa Ponte sobre o Lago Guaíba, um dos cartões postais da cidade.
Quando aterrissar no Salgado Filho poderá visitar a Bienal do Mercosul, a Feira do Livro de POA, a Exposição 50 anos da RBS e comer Churros de MUMU passeando pelo mesmo rio que atravessou momentos antes, no céu.
Falando em Céu, deixo a música abaixo (outro símbolo do RS) como cartão de boas- vindas para nossa parte paulista desse querido cantinho!

"Eu quero andar nas coxilhas sentindo as "flexilhas" das ervas do chão
Ter os pés "roseteado" de campo ficar mais trigueiros com o sol de verão
Fazer versos cantando as belezas desta natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor
É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor
Eu quero me banhar nas fontes e olhar horizontes com Deus
E sentir que as cantigas nativas continuam vivas para os filhos meus
Ver os campos florindo e crianças sorrindo felizes a cantar
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar

É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor
É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor
Onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor "


(Céu,Sol, Sul)

06 outubro, 2007

Linda terra de céu sempre azul*

Balões decolando do Aeroclube de Rio Claro, durante o 1º Campeonato Sul-Americano em 2006
(Foto: Gabriela Slavec)


Muito bem, cá estou de regresso. O que seria de mim se não fosse a mana gaúcha para me dar uns puxões de orelha? Hehehe... na verdade, em meu exílio involuntário, havia já pensado em escrever aqui um post sobre as coisas que andam me fazendo falta, e das quais pretendo matar as saudades na minha volta à Paulicéia. Mas gostei tanto da idéia de falar sobre minha atual paragem, nesses tempos de recuperação, que decidi antecipar esse tema ao outro. Vamos às terras rio-clarenses, pois.

Rio Claro, palco de minhas férias involuntárias dos últimos meses, não é minha cidade natal. Mas é a cidade de minha história familiar, primeira referência geográfica externa que aprendi a ter na vida. Com 170 mil habitantes, fica a 180 km de São Paulo. Tem praça chamada Liberdade, igreja Matriz de São João Batista, avenida principal Visconde de Rio Claro. Tem corpo de bombeiros, dois times de futebol e uma alameda bonita que leva ao cemitério, cheia de árvores, chamada Saudade. Tem colônias alemã, italiana e portuguesa. Tem brasileiros de diversas raças. Tem carnaval de rua, lendas urbanas do tempo dos escravos, quermesse em junho, parque de diversões, orquestra tocando no Natal e fogos de artifício no Ano Novo. Tem campo de aviação com esquadrilha da fumaça e campeonato de balonismo. Tem periferia e também Clube de Campo para os representantes da high-society.

De tempos em tempos, a cidade sofre com as queimadas de cana-de-açúcar dos arredores, que espalham fuligem preta pelo ar, pelos varais e pelas águas da região. Ainda assim, recebe o apelido de Cidade Azul, pela cor profunda e permanente de seu céu. Quase todos os adolescentes andam de bicicleta, aproveitando as ruas planas e o clima ameno. Se chove, chove pouco e forte. A chuva sempre é limpa e deixa um cheiro de terra molhada que reacende minhas lembranças de infância. O ar da cidade é seco, e no entardecer circula um vento leve e amarelo, que ficou, ao lado do gosto de vinho quente, nas minhas lembranças de adolescente.

Alguns filhos ilustres levaram ou levam o nome da cidade por aí. Nas rodas de samba de Narciso Trevilatto nos Demônios da Garoa, nas noites de amor cariocas de Dalva de Oliveira, nas lutas pelas Diretas de Ulisses Guimarães. E outros, embora não filhos da terra como esses, compartilham mais ou menos o mesmo cenário das lembranças de infância: Rita Lee, em visitas infantis à tia; o casal Julia Lemmertz e Alexandre Borges, que vez ou outra passa por aqui para ver a família; ou Débora Duarte e depois a filha, Paloma Duarte, ex-alunas internas do colégio onde minha mãe, e depois eu, estudamos.

Nas ruas de Rio Claro é impossível andar sem encontrar alguém conhecido. Sua tranqüilidade favorece a corrida rápida de notícias e, é claro, também o melhor controle sobre a vida alheia. A cidade foi, durante muito tempo, meu contraponto com o resto do mundo – com os meus sonhos adolescentes de fazer mala e correr estrada, minhas adivinhações de amores e vontades, que eu tentaria concretizar mais tarde. Foi motivo de conflitos e insatisfações, numa época em que todos nós, lutando para crescer, nos tornamos mais ou menos injustos e egocêntricos. Mas foi também fonte da quietude da qual senti falta quando saí da redoma de vidro; uma falta doída e insuspeita, que me fazia chorar à noite nos meus primeiros meses de São Paulo. E passado o choque de bater asas, virou referência de finais-de-semana por ser ainda ninho familiar e ponto de encontro dos amigos que, também tendo batido asas, para ali retornavam em busca de um chopp, de ombros amigos e das antigas e boas piadas.

A verdade é que, tentando escrever um texto um pouco mais objetivo sobre a cidade, percebo que a tarefa é mais difícil do que pensei: minha relação com ela nunca foi, nem poderia ser, indiferente. Daqui vêm as histórias de recomeço e luta de meus avós, que vieram singrando mares, buscando vida melhor. Da infância de meus pais, entre praças, árvores e rios, infância que um dia também tentaram me dar. O porto seguro para onde eles retornariam sempre, depois do trabalho, do estudo e do crescimento que, jovens, buscaram em São Paulo. Foi desejo meu, infantil, de passeios e brincadeiras nos finais de semana. E depois, revolta adolescente por ter se transformado num endereço que não escolhi. Mas com o passar dos anos, daqueles mesmos anos, se transformou também em fonte de referências para todos os sonhos que eu iria buscar depois. Para aqueles que se parecem com a paz das tardes dela, e para aqueles que são seu contrário. Tudo, afinal, partiu daqui, do tempo em que fui criando a consciência de que precisava virar gente, andar com as próprias pernas. Foi onde aprendi novas referências, descobri a paixão pela música, os amigos e valores que curariam qualquer tristeza. Foi onde intuí que existem formas diferentes de viver, de sentir o mundo. Foi onde aprendi que nenhuma história pode ser desprezada.

Por isso, saindo de uma tempestade sob os raios paulistas desse sol de outubro, não vejo outro jeito a não ser tirar uma licença poética (ainda que duvidosa... hehe) para falar da cidade. Como um aviso, vivi a situação de ser tirada do olho do furacão, dos meus pensamentos tão auto-centrados, e ser colocada aqui de novo por algum tempo, para pensar na vida. Os últimos dois meses tiveram peso e tamanho de uns dois anos para mim. Outro outubro intenso, embora diferente daquele de 2006, em que eu estava em tão distantes paragens, aprendendo tanto sobre o mundo, sobre o Brasil, sobre como conviver e sobre mim mesma.

O outubro de agora traz outro mergulho, no silêncio de meu quarto de adolescência, nas ruas que eu percorria com meus 15 anos, na visão das meninas e meninos uniformizados andando pela calçada em plena terça-feira à tarde, como eu já fui um dia. A vida era bem mais simples e eu não sabia. E, mesmo que eu já adivinhasse o que viria depois, e adivinhasse também que não trocaria aquela vida futura e complicada por nada no mundo, hoje percebo outra verdade: no fundo, o que a gente procura é sempre uma forma de voltar a ter as certezas que tinha na aurora dos sonhos, quando sabia direitinho o que era preciso para ser feliz.

Por: Paulista multicidadã :)

* O título do post é um trecho do hino oficial da cidade.

02 outubro, 2007

Peleia Braba, o Retorno!

Tsi, Tsi, Tsi...diz o ditado gaúcho que "Não tá morto quem peleia"...tenho de confessar que acredito totalmente nisso.Tanto, que cá estou eu, abancada com meu chimas tentando erguer a poeira braba que se instalou nesse humilde cantinho Interestadual.
Sim, pois fui brutalmente abandonada pela parte Paulista desse Blog...só me resta chorar e terminar meu mate assim, sozinha e desamparada...
A não ser que uma Luz apareça no fim do Túnel e a mana Jubs resolva contribuir novamente com seus belos textos sobre a Paulicéia...
Poderia também nossa informante paulista nos contar um pouco sobre sua Cidade Natal- Rio Claro.Terra de gente valente e ouvi dizer de gente famosa...dizem até que um Demônio (aqueles da Garoa, sabe?) tem origem por aquelas bandas..
Será?
Só um milagroso texto de Mana Jubs poderia desvendar estes e outros mistérios....
Fica o desafio..afinal..tô na peleia para que este blog não vire mais uma lenda na net...

Por: Gauchita Solitária

28 agosto, 2007

Fandango* no Pastel com Chimarrão

A comemoração está atrasada, mas não tá morto quem peleia...vamos lá!

Há um ano atrás, Juliana e eu nos desafiamos criar esse cantinho, para dividir com amigos, colegas e simpatizantes um pouco das culturas e lamúrias paulistas e gaúchas.

Incentivadas pelos inúmeros blogs de nossas amigas (a própria Jubs tinha dois na época!) nos entregamos a esse mundo virtual, com a expectativa de diminuir a distância entre nós.

E como foi boa essa experiência.Desde o início tive muitos aprendizados.

Primeiro, aprender a dividir com uma grande amiga um espaço virtual, estando a dois estados de distância (isso para mim era quase casar em morar em casas separadas!).

Segundo, desafiar meus medos e traumas internos: de ficar sem idéias; de ter idéias, mas não saber expressá-las; de expressá-las e ninguém gostar...

Mas passado esse susto inicial, comecei a gostar desse lance de contar para um número maior de pessoas um pouquinho da belíssima cultura gaúcha, que estou adorando descobrir desde de minha mudança para Porto Alegre.

E qual foi meu espanto quando comecei a ouvir e receber os comentários e e- mails elogiando os textos e a iniciativa de unir os estados do Rio Grande do Sul e São Paulo.

Bom, sobre a qualidade dos textos posso dizer que sou muito privilegiada, pois ter uma companheira de teclado como a Jubs é uma grande bênção...além de publicar textos extremamente belos e bem escritos, minha mana do coração sabe muito bem como deixar “a bola picando” e muitas vezes me inspirei em seus posts para escrever sobre algum assunto!

Sobre a criatividade dos temas, só tenho a agradecer a esta terra bendita e imensamente bela, onde tudo se transforma em poesia e as viagens se tornam doces descobertas.

Não posso deixar de fazer uma homenagem à minha querida caderneta de papel reciclado (esse lance de ter uma caderneta a tira colo também veio com a convivência junto às amigas jornalistas!), minha querida companheira, onde eu anotava todas as idéias e temas que vinham à minha mente durante as viagens, os passeios e até mesmo no dia a dia de trabalho.Abruptamente retirada do seio familiar (porque no “Paraíso” também tem assaltantes e muita miséria), lá se foi minha caderneta e ótimas idéias para textos...algumas lembrei e cheguei a publicar, outras se foram para sempre...

E nesse momento sublime, agradeço aos meus consultores gaúchos, que me ajudaram nas horas de incerteza, servindo corajosamente como tecla “sap gaúcha” para alguns termos que eu nem tinha idéia do que significavam: Cris, Alice e Márcia recebam meu muito obrigada!

Para finalizar, convido todos a darem uma passeada pelo histórico do blog, ler, reler, conhecer, ficar com vontade de visitar, enfim..desfrutem desse espaço que serve de pouso para os tropeiros amigos e se abanque, pois a mateada já vai começar!

E como não pode faltar uma cantoria na festa, vamos comemorar ao mais típico estilo crioulo:

“Parabéns, parabéns

Saúde e felicidade

Que tu colhas sempre todo dia

Paz e alegria na lavoura da amizade

Que tu colhas sempre todo dia

Paz e alegria na lavoura da amizade

Que deus velho te conceda com a sua benevolência

muitas e muitas campereadas na invernada da existência

Reunidos no mesmo afeto te abraçamos neste dia

e para que siga a festança repetimos com alegria”

* O termo Fandango pode ser usado para o baile, como também o estilo de música/dança típica.

Por: Gauchita

03 agosto, 2007

Eu vou comer pastel de feira!

Sim..esse final de semana vou tirar o pé da lama...
Vou deixar um pouco de lado meu "quase sotaque gaúcho" e retornar às minhas origens paulistas...
Deixar o chimarrão sem erva e me entregar às delícias de um maravilhoso pastel de feira.
Temos pastéis maravilhosos aqui em POA também (o pastel com borda não me deixa mentir), mas nada mais paulista do que acordar cedo do domingão, vestir aquele moletom amassado de final de semana, botar uns trocados no bolso e ir à feira!
Na minha família esse ritual é milenar e passado de mãe para filha.Todos fizeram, fazem e farão feiras, no grande estilo italiano/espanhol de ser...
Esse ato envolve um grande número de detalhes que vão desde a preparação da lista de compras até a forma de armazenagem e transporte dos mesmos.
Lembro de ficar ao lado da mãe enquanto ela anotava os últimos itens da lista, se esforçando para não esquecer nada...e do tamanho do meu sorriso quando eu lia, lá no final do papel: “pastéis”.
Hum...a boca enchia d’água e tudo mudava de cor.O caminho ficava bem menor e o restante da lista passava a ser um detalhe, frente ao objetivo maior.
A banca do pastel era a primeira, o que me deixava ainda mais ansiosa.Antes de se entregar à gula era preciso passar por todas as barracas, comparar os preços e a qualidade dos produtos, voltar, comprar, seguir a diante para outra banca, lembrar que esqueceu uma coisa lá do começo, voltar, comprar, efim....uma jornada.
Mas tal esforço valia cada segundo -e cada dedo quase roxo de tanto segurar as sacolas - pois para encerrar o dia lá estava ele...majestoso...apetitoso...quentinho...
A feira de domingo de São Bernardo é especial, pois possui ingredientes típicos de uma feira livre.Se algum dia você quiser mostrar para algum turista o que é a zona de uma feira livre, leve-o para Samber City num domingão!
È possível encontrar a competição de gritos dos feirantes, com seus chamados criativos (e às vezes assustadores!), a pechincha básica e uma barraca de pastel onde são responsáveis pela iguaria são japoneses, que fazem a fritura usando hashi!
Após fazer o pedido, momentos de ansiedade!Os tambores do coração ecoavam e a saliva não cabia mais na boca...as sacolas escorregavam dos dedos...um misto de terror e paixão...quase uma novela das seis!
E aquela furadinha que a feirante dava bem no cantinho pastel, para ajudar a liberar o vapor??? Nooossa! Era o sinal supremo de que ele estava pronto para ser devorado...então chegava em minhas mãos o pastel mais maravilhoso e suculento do universo...hum...e com vinagrete em cima, ficava digno dos deuses!!!!
A degustação na feira era apenas o ínicio...como comprávamos para toda a família, o segundo tempo da brincadeira se dava em casa, com a galera atacando os pacotes para ver se era o seu e muito guaraná para acompanhar a festa...
Alguns dias a fome era tanta que começávamos a devorar o pastel brinde (a gente sempre ganhava, por conta da quantidade de pastéis que comprávamos!) aí terminávamos o dia sentadas em frente à TV jiboiando, lembrando daquele sabor delicioso..
Agora me dou conta que nessa hora faltava um chimarrão básico para ajudar na digestão!
Feira de Domingo de São Bernardo me aguarde!
Eu tô chegando !!!


por:Taís

19 julho, 2007

Luto Interestadual

Dizem que gaúcho não chora.Se por acaso alguma lágrima escorrer no rosto de um gaúcho é saudade do RioGrande.
Dizem que São Paulo é a terra da garoa. Terra cinza, com moradores frios e calculistas, que só se preocupam com o trabalho e lucro.
Mas as imagens que vi nesses últimos dias fazem cair por terra esses ditos populares.Não é só a saudade que amolece o coração do gaúcho e o choro manso, engasgado e sem fim fica tão parecido com aquela garoa densa, triste e paralisa qualquer paulista apressado e trabalhador.
Esta semana as cinzas de mais um acidente em São Paulo estreitou com sangue a ponte aérea Salgado Filho/Congonhas e este blog que surgiu da idéia de duas amigas separadas pela distância entre Porto Alegre e São Paulo fica de luto, cheio de tristeza e dor.
Itinerário tão comum em minha agenda e de meus amigos e familiares, não pude deixar de sentir aquele frio negro subindo a espinha.Poderia ser eu, poderia ser minha mãe, poderia ser minhas irmãs ou amigas.
Naquela noite bombeiros paulistas lutaram contra o calor do fogo que insistia em queimar, destruir, matar...naquela noite não teve garoa, e o choro não foi velado pelos gaúchos. Naquela noite,os dois estados se tornaram irmãos, mais uma vez.
Infelizmente (ou finalmente) esses momentos servem para nos fazer refletir sobre nossa conexidade, nossa união.Estamos, num primeiro olhar, separados, distantes...mas somos todos seres vivos, conectados na Teia da Vida, que pede, grita, implora por mudança...mudança de consciência, mudança de atos, mudança de Vida.
Precisamos deixar de agir como um vírus e voltar a agir como Seres Humanos, conscientes do impacto de nossos atos e responsáveis por nossos pensamentos e sonhos.
Se todos querem a Paz, por que ela não acontece?
Se todos querem ser Amados, porque nos dobramos para uma sociedade que nos controla pelo medo?
Se nós somos a sociedade, por que deixamos que tudo isso que nos machuca e faz sofrer continue acontecendo?
Busco a resposta meus amigos...ao mesmo tempo em que acalento os colegas que perderam conhecidos, amigos, ex-colegas de trabalho, familiares em mais um acontecimento fruto de nossos atos.
Por: gauchita triste

25 junho, 2007

Qualquer maneira vale a pena


Todo mundo sabe que o Rio Grande é terra de Macho. Que a grande fartura de anedotas sobre gaúchos afeminados é pura intriga da oposição. Eu acredito nisso com toda a força da minha alma. O Rio Grande do Sul é a terra dos homens mais lindos que eu já vi (sem desmerecer, logicamente, os representantes dos outros estados deste maravilhoso Brasil). Mas sei, também, que os nativos do solo gaúcho sobrem à pampa com essa história de que todo gaúcho é gay.

Tenho minhas teorias particulares para explicar essa fama - se certas, não sei. A primeira delas tem a ver com o jeito gaúcho de ser. Pode ser mera impressão pessoal, mas eu acho o homem gaúcho um dos seres mais cortezes e gentis que existem. Não sei como se dá o fenômeno da convivência prolongada com os referidos mancebos - afinal, sabemos que a herança cultural tropeira prima pelas tradições machistas. O que sei é que, até a página 9 (onde me foi dado conhecer até hoje), os gaúchos são a mais perfeita e fina flor do cavalheirismo. Educados, não te olham como se fossem te comer a qualquer momento. São poéticos. E são também facilmente capazes de desenvolver uma amizade sem intenções ocultas. Podem passar horas conversando com você, num papo bom mesmo, sem tentar te cantar, se perceberem que não é pra isso que você está ali. Não, meninos do Brasil, isso tudo não é sinal inequívoco de boiolagem. Mas contribui para a fama inventada para eles, acho eu, por outros que possivelmente sofrem com a falta de jeito ou medo de mulher (e afinal, machões, qual é o Homem que tem medo de mulher?).

Minha outra hipótese para a reputação piadística dos pampas tem a ver, dessa vez sim, com os gays gaúchos mesmo. Imagino que a terra daqueles que destruíram os relógios dos 500 anos de colonização (como eu soube numa elucidativa aula de história recente gaudéria, no último feriado) ou que serviu, orgulhosa, de primeira sede do Fórum Social Mundial, saiba um pouco como lidar com a diversidade e com aqueles considerados "malditos" pela tradição, família e propriedade. Ou seja, para além dos rincões do machismo ancestral, deve morar nos pampas um olhar de maior respeito e aceitação pela diversidade de gêneros e transgêneros. Também não privei da convivência gaúcha o suficiente para comprovar essa hipótese, mas penso que ali os casais homos devem ter menos medo de se mostrar. Ou, ao contrário, talvez tenham que se afirmar ainda mais para ter voz em meio a costumes tão tradicionais. Parece contraditório, mas uma terra que mistura tanto a tradição e a modernidade deve ser assim mesmo. Não cabe no simplismo das piadas.

Mas eu disse tudo isso, na verdade, para afirmar uma característica bem paulistana nesse quesito. Se o gaúcho carrega a fama, é a terra paulista a responsável por abrigar o maior evento do gênero do país e, algumas vezes, do mundo. A Parada Gay de 2007, que aconteceu no último feriado, reuniu na Avenida Paulista mais de 3,5 milhões de pessoas. Atualmente, é a maior festa anual da cidade. Reúne mais gente do que a corrida de São Silvestre ou o desfile das Escolas de Samba no Anhembi. Ultrapassa, em alguns anos, o número de pessoas da parada de São Francisco, nos EUA, símbolo pioneiro desse tipo de evento. Em 2007, levou para a rua simplesmente 2,5 vezes a população da cidade inteira de Porto Alegre.

Assistir ou participar da Parada Gay de SP é experiência única, independente da orientação sexual. Aí reside o grande trunfo do evento, responsável, a meu ver, pelo fenômeno de público: mais do que evento de luta, a Parada é sobretudo é uma Festa de Afirmação. Um gigantesco e colorido palco, onde todos podem ser o que quiserem.

E vale tudo. Trios elétricos carregados de anjinhos pulando só de sunga e asinhas. Carros de som com mulheres vestidas de deusas gregas, cantando Cássia Eller. Borboletas de dois metros de altura e 4 na envergadura das asas de purpurina, disparando bolinhas de sabão pelo ar. Bandeiras e mais bandeiras tremulando. Casais homos, casais heteros, amigos, e até crianças e vovós, prestigiando seus familiares. A Parada oferece cenas insólitas e divertidas para olhares despidos de preconceito, como a vovó que vai prestigiar o neto, um mulato 2x2 vestido apenas de bota, purpurina e tapa-sexo, arrasando na avenida. Ou a moça (?) de vestido de renda rodado, vermelhíssimo, à la Maria Antonieta, caminhando por entre as barracas da feirinha de antiguidades do MASP. Os halterofilistas tomando cerveja e ouvindo poemas ao lado da avenida.
É isso que esse evento oferece, na verdade: a oportunidade de treinar o olhar - ou destreiná-lo das coisas comuns, do senso de todo dia - e ver a liberdade invadir a principal a Avenida da cidade. Ver pessoas dançando, se abraçando e cumprimentando umas às outras ao sol, sem medo ou receio de olhares tortos. Uma loucura alegre, que pode até abrigar excessos em raros momentos (em qual multidão não os há?), mas cuja tônica - sempre! - é mostrar, com alegria, que todos tem o direito legítimo ao respeito.

Depois de dizer que eu fui à Parada Gay, em um dos anos passados, muita gente resolvia emendar em seguida ao meu comentário: "Eu também estava lá!". Ainda é um pouco difícil para muitos entender como um evento como esse pode reunir pessoas tão diferentes entre si. Eu, do meu lado, tenho orgulho em saber que minha cidade tem como maior marco de seu calendário anual uma passeata que celebra a Diversidade. E que mostra, mais uma vez, que a bandeira e o coração paulistanos foram e são feitos de muitas cores. :)


Por: Paulista que não pode ouvir It's raining man numa pista de dança! :)

21 junho, 2007

Com o Grêmio onde o Grêmio estiver!

“Quarta feira, 20 de Junho de 2007.
O relógio marca 18:00h.
Deixo meu trabalho e mesmo sem querer me reúno a uma multidão de mosqueteiros que lota ruas, carros e ônibus em direção à grande arena da noite: o Estádio Olímpico.
Nas ruas o trânsito não incomoda; as buzinas hoje são vozes, formas de comunicação entre torcedores, simpatizantes e até rivais!
Desde que moro aqui no Sul, meu respeito e esperança de que é possível ser torcedor apaixonado sem ser idiota ou burro aumenta a cada jogo.
Já tive oportunidade de escrever para vocês sobre a grande emoção da conquista do Inter: os “Sacis de Porto Alegre”.Hoje volto a falar de futebol e desta rivalidade sadia e divertida aqui do Sul.
Hoje o Hino Nacional tem sotaque gaúcho e as cores de nossa bandeira são preto, branco e azul.
O “imortal tricolor” entra em campo e da janela de casa posso ouvir a torcida gritando: “Grêmioooo...Grêmioooo”.... responsabilidade e esperança nas chuteiras dos representantes da Nação Gremista.

Um por todos e todos contra o Boca!

O desfecho desta história saberemos apenas ao final dos 90 minutos.Ou da prorrogação, já que para este destemido time nada é fácil... e impossível!"

Texto escrito as 22h.

Final do segundo tempo e infelizmente a Nação tricolor dormirá triste.
Porém, o orgulho de uma torcida não acaba com uma derrota, mesmo que seja doída e dentro de casa.
Como demonstração de solidariedade e amor à camisa, hoje as ruas continuavam cheias de mosqueteiros...
E que venha o Grenal!
Por:gauchita torcedora